the big chill

Eu sempre gostei do tema “reencontro de amigos”. Há um tempo atrás, eu saía catando na locadora qualquer filme que tratasse sobre isso. Não gostei de nenhum, nem de O Reencontro, com Glenn Close, William Hurt etc., que é considerado ótimo. Achei todos eles muito fake, construidinhos demais, não conseguia ver ali aquela sensação de conforto e desconforto que é encontrar pessoas que fizeram parte da sua vida por muito tempo e há muito tempo não fazem mais.

Mas nada se compara a essa minissérie nova, Queridos Amigos. Fazia tempo que eu não via nada tão constrangedor, pelo menos nos dois primeiros capítulos. Nem Caminhos do Coração é assim – embora, como Mari bem apontou mandando sms a cada diálogo absurdo, a vibe dos textos das duas é muito parecida. É tudo baseado em frase-feita, das piores possíveis, e distribuídas em forma de jogral, já que os personagens são muitos e os lugares-comuns não podem ser ditos por uma pessoa só. Ontem teve uma cena BEM absurda, mais ou menos assim:

– Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.

– Fernaaando Pessoa.

– Por que é que a gente não lê mais poesia?

– Por que a gente não FAZ mais poesia?

– Talvez porque a nossa vida não esteja poética o bastante.

Ai meu cu.

Como se não bastasse, tem Denise Fraga interpretando uma budista astróloga, dizendo a cada dois minutos que o problema é que Júpiter ou Vênus ou Marte está na casa três ou cinco ou sete e abraçando uma árvore ou se arrastando na grama. E Dan Stulbach, com os olhos arregalados, mandando todo mundo celebrar a vida.

Aí quando a gente acha que não tem como piorar, alguém grita que “hoje faz dez anos da anistia!” e entram as imagens dos exilados voltando pra casa. Ao som de que música? Essa mesma.

Que sufoco louco. Vejo mais não.

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3 Respostas to “the big chill”

  1. Cecília Says:

    esse diálogo da poesia me lembrou being boring, aquela parte:
    she said “we were never feeling bored”
    ‘cause we were never being boring

  2. Tarta Says:

    isso sem falar das músicas clichê, né.
    tás em recife já, né?

  3. Leal Says:

    O pior é que eles estão em 1989 e a música mais nova que toca é Every Breath You Take, de 83. Já que eles tão pouco se lixando pras datas, podiam incluir mesmo Being Boring na trilha. É de 90, mas tá mais condizente com a série.

    Tô em Recife até dia 2!

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