bolhas na pleura

Eu tenho uma amiga que vive doente. Não existe a possibilidade de você perguntar como ela está e ela não incluir pelo menos um resfriadinho na respota. Pois bem, eu tô começando a entender como ela funciona.

Alguma urucubaca se abateu sobre mim – eu poderia dizer também “alguém fez uma macumba contra mim”, mas é melhor não colocar essas coisas negativas como possibilidades reais – e tive um revezamento de gripe e asma durante a última semana. Na verdade, era mais uma gripe com obstáculos, umas crises de asma aqui, uma sinusite acolá.

No domingo retrasado, as crises de asma começaram a realmente incomodar, era uma tosse que não terminava mais nunca e uma falta de ar daquelas que deixa você ansioso e a ansiedade vai tirando o pouquinho de ar que resta. Resolvi interromper meu passeio domincial e voltar pra casa pra usar meu nebulizador que mainha tinha mandado por Larissa. Chego em casa, abro a caixinha e descubro que mainha esqueceu de mandar a máscara. Ou seja, aquela fumacinha toda ia se perder pelo quarto e não ia ajudar muita coisa. Resolvi que era hora de ir prum hospital mesmo, tomar nebulização profissional.

Dani, minha TeleLista particular, me deu duas opções: Clínicas ou Nove de Julho. “Porra, Clínicas é foda”. “Ah, mas tem uma parte que é pras pessoas que têm plano de saúde, pra classe média”. Fine. Como o Clínicas é do lado da minha casa, resolvi ir pra lá. Mas, obviamente, não consegui achar a entrada da classe média e fui parar na parte classe baixa mesmo.

Eu poderia fazer todo um discurso sobre como o serviço público de saúde é trash porque, puta que pariu, eu me senti num daqueles filmes de zumbi. Tinha todo tipo de doença lá, mas doenças daquelas gráficas mesmo, com muita maquiagem e efeito especial. Mas o que mais me agoniava era uma mulher que chorava convul e compulsivamente. Não parava. E não parecia ser um choro de dor, parecia mais que ela chorava por algum parente, dava uma pena horrível, fui ficando aflito ali. Olhar pro lado e ver um cartaz dizendo A PREFEITURA PAGARÁ AS DESPESAS DOS TRASLADOS DE CORPOS ENTRE O HOSPITAL E O CEMITÉRIO não melhorou a situação. Não tive coragem de perguntar a um funcionário onde caralho ficava a parte de quem tinha plano de saude. E tinha certeza absoluta que eu era a última das prioridades ali. Levantei e fui-me embora pro Nove de Julho.

Não vou comentar aqui como era, porque é que nem todos os hospitais que todos nós estamos acostumados a ir. A questão é a comparação entre um e outro. Vinte minutos antes, eu entrava em contato com as doenças mais terríveis do mundo, num lugar horrível e mal iluminado e com a probabilidade de ser atendido batendo ali nos 0,5%. Agora, eu estava sentado numa poltrona confortável, vendo nove (NOVE) etiquetas adesivas sendo impressas com meu nome delas, toda uma tecnologia a meu favor. Eu esqueci de agradecer a Deus por possuir um plano de saúde, mas acho que ainda é tempo.

P.S.: Bolhas na pleura é só uma referência musical mesmo. Foi só gripe. E asma. E sinusite. E rinite.

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Uma resposta to “bolhas na pleura”

  1. najha Says:

    eu gostaria de saber o que é espassamento pleural e opacidades basaia a esquerda foi o que deu no meu exame mas não consigo marcar o retorno com minha médica

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