I couldn’t help but wonder

Às vezes algumas críticas são melhores do que o filme em si. Não tô me referindo a uma crítica falar bem do filme e ele ser uma merda. Mas que determinada crítica, como texto, é uma “obra de arte” (com ou sem aspas, você decide) melhor do que determinado filme sobre o qual ela foi feita.

Duas críticas que eu li sobre Sex and the City, além de serem melhores que o filme, conseguiram explicar o que eu gostei e o que eu não gostei nele.

Não posso dar CTRL+C CTRL+V senão me processam, então vou colocar só trechos, as críticas inteiras só os assinantes do UOL (ou amigos de assinantes do UOL com senha emprestada) podem ler.

A primeira é de Cássio Starling Carlos (eu sou muito fã da mãe dessa cara, é muita coragem batizar seu filho de Cássio Starling Carlos), da Folha, e a segunda de KMF, do JC (que, aliás, tava inspirado essa semana, porque a crítica de Sonho de Cassandra é maravilhosa também).

Embora com falhas no roteiro, filme vale como um reencontro

[…] os produtores distribuíram com exagero as cenas de encontros do quarteto, sempre seguidas de uma insuportável gritaria, e a profusão de referências a grifes, que transforma a primeira hora do longa num interminável comercial da Daslu.

[…] o acúmulo dos clichês da figura da “mulherzinha” afasta o filme da forma agradável como a série inoculava seu público com uma irresistível ideologia pós-feminista.

[…] Sem muita habilidade, o diretor e roteirista Michael Patrick King, veterano produtor-executivo da série e estreante no cinema, nada mais faz que alinhavar situações, com quebras de ritmo que revelam como o longa se ressente da falta de um roteiro com estrutura de filme.

[…] E por que, mesmo com tantos defeitos, eu ainda acho o filme bom? Porque ele funciona como aqueles reencontros com velhos amigos. Você os abraça, ri, fica nostálgico e pode sentir que não está sozinho no mundo. Se é que isso ajuda.

Sobre amigas e sacolas

“[…] Durante os primeiros 40 minutos, portanto, Sex and the city – o filme torna-se um enjoado festival de meninas patrícias, versão radical de O diabo veste Prada onde cada cena parece ter sido patrocinada por alguma grife importante. Em termos gerais, o público feminino (e também parte da platéia gay) poderá salivar com a quantidade de sacolas caras.

Aos poucos, no entanto, o filme revela-se uma negação da idéia muito defendida pela tradição e, de fato, pelo cinema, do casamento como espetáculo de ostentação social, e isso parece mostrar respeito pelos personagens originais da série, em especial Big e, finalmente, a própria Carrie.

[…] Não há exatamente ambições de bom cinema no filme (enquadramentos e tempo de TV predominam) […] Mesmo assim, é uma boa novela sobre amigas, sacolas e relacionamentos.

É incrível como são muito parecidas essas críticas. Ambas tocaram quase sempre no mesmo ponto, mas com referências diferentes (Daslu numa, Diabo Veste Prada noutra…).

Mas nenhuma das duas citou o quanto é péssima aquela personagem de Jennifer Hudson. Sem as cenas com ela, o filme, além de melhorar bastante, ainda ficaria uns 20 minutos mais curto, o que não seria nada mal.

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