actrices

Fui tendo uma revelação ao longo dessa semana. Na verdade, eu não queria ser ator. Queria ser atriz. As atrizes sempre me chamam muito mais a atenção do que os atores. A forma como elas se movimentam, falam, passam a mão no cabelo. As boas atrizes, claro.

Primeiro foi Damages. Vi as duas temporadas em duas semanas e cada vez ficava mais encantado com Glenn Close. Glenn Close não é exatamente versátil. Todo papel dela é uma variação de uma mulher “de personalidade forte”, quase sempre descambando pra vilã. Mas ela consegue achar tantas e tantas nuances nesse tipo de personagem que sempre me surpreende. Em Damages, ela dá show até com pano na cabeça e óculos escuros. Nada vai ser melhor do que Ligações Perigosas, mas graças a Deus deram um papel decente pra bichinha e ela largou as Cruelas Cruéis da vida.

Foto: Divulgação

Aí fui no domingo ver Por um Fio, de Moacir Chaves, baseado no livro de Dráuzio Varela. Eu poderia ficar aqui falando de alguns defeitos graves que a peça tem (apesar de, no final, quando eu já tinha saído do teatro, um choro veio, engasguei um pouco, mas engoli). Mas ela tem Regina Braga, que é uma coisa. Acho que a primeira vez que a vi, ou me dei conta da existência dela, foi naquela novela de Manoel Carlos, Por Amor. As novelas de Manoel Carlos quase sempre me irritam muito, acho um melodrama excessivíssimo (mas confesso que vi todos os capítulos de Laços de Família e Mulheres Apaixonadas). E ela tava no núcleo do marido bêbado, ou seja, era uma coisa bem espremedora de lágrima. Mas ela conseguia dar uma dignidade praquilo tudo, junto com Paulo José. Depois eu fiquei catando coisas dela aqui e acolá mas ela não dá muita trela pra tevê. Aí esse ano fez Alice – e era a melhor coisa de Alice – e fiquei animadíssimo pra ver ela no palco. E não me arrependi. Ela tem uma força muito grande, mas uma força delicada. A forma como ela coloca o pé no chão, como senta, como junta as mãos. Os olhos lindos que ela tem. Acho Regina Braga linda, linda, linda. Queria todo dia poder vê-la em cena falando qualquer coisa, qualquer texto. Tudo que ela fala, fala bem.

regina braga

Foto: Divulgação

Aí eu cheguei em casa e começou um documentário sobre Brigitte Bardot. Nunca prestei muita atenção em Brigitte Bardot, vi E Deus Criou a Mulher e não me chamou muito a atenção, acho uma coisa meio datada. Mas adorei Brigitte velha. Eu adoro quem envelhece com dignidade e com consciência, não só no sentido físico. Mas a mulher tinha uma vida horrorosa, perseguida o tempo todo por paparazzi, todos os jornalistas se achando no direito de botar pra fuder só porque ela era bonita e sensacional. E ela não queria ser nada disso. Não podia confiar em ninguém, porque os miguxos todos vendiam as informações de onde ela tava pros jornais. Ela tanto não queria nada disso que um dia encheu o saco e disse que ia se aposentar. Ninguém acreditou. E realmente nunca mais ela fez porra nenhuma. Foi cuidar dos bichos, no melhor estilo “quando mais conheço os homens, mais gosto do meu cachorro”. Acho podre essa frase usada nas camisas por aí, mas no caso dela, eu entendo. Todo mundo que ela conheceu botou pra fuder nela ou a usou pra alguma coisa. É muito triste isso, mas ela não ficou se lamuriando por aí, foi atrás do que ela acreditava. Outro clichê, mas se todo mundo seguisse esse clichê, não tinha tanta gente fazendo mimimi por aí afora. Então, Brigitte, você virou minha musa também. Mas musa nessa fase de agora.

Foto: PATRICK DOYLE/AFP/Getty Images

Pra quem não consegue enxergar a beleza através da “acabadura” dela, aí vai ela em um momento chanson com Gainsbourg, coisa mais fofa.

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