agora a lontra está com luciana lins

Dizem que, quando você está prestes a morrer, passa um filminho na sua cabeça com flashes da sua vida (algo meio re-enacted with bunnies).

Sexta-feira, no MIS, durante o show de Lulina, eu tive uma experiência parecida, mas sem a morte, só com o filminho de parte dos últimos 8 anos.

Em 10 de setembro de 2001 (eu não sou o maníaco das datas, mas sei que foi no dia anterior aos aviões), eu fui fazer um curso com Kleber (O Olhar Crítico num Cinema que Vende o Nosso Próprio Olhar – que, nas edições seguintes, graças a Deus, ficou sendo só O Olhar Crítico). Eu estava me sentindo completamente deslocado ali: tinha 15 anos e a turma toda tinha mais de 20. Até que entra, atrasada, uma menina com uma mochila rosa nas costas e eu pensei: pronto, finalmente uma pessoa mais nova que eu. Só alguns dias depois é que eu fui saber que Lulina era sete anos mais velha. Oito anos se passaram desde então e ela continua parecendo mais nova que eu.

A primeira vez que eu vi Lulina cantar foi uns dois meses depois de a gente se conhecer, num lugar chamado Instinto, no Pátio de São Pedro. Ainda era uma banda de covers. Foi a primeira vez que eu ouvi PJ Harvey, Velvet Underground, Cat Power e Neil Young, tudo na mesma noite, e tudo pela boca de Lu. Ainda por cima, ela cantava Like Dylan in the Movies, minha música preferida do Belle and Sebastian (que, na época, era também minha banda preferida e, na minha memória, continua sendo uma das, embora eu não ouça há muito tempo).

Eu não consigo lembrar como nem quando foi que ela começou a misturar os covers com as músicas dela, nem quando ela deixou de fazer covers e passou a só cantar o que compunha. Mas sei com certeza que eu vi mais show de Lulina que de qualquer outra artista. Depois dos shows no Instinto, lembro dos shows no Vitrola, os shows naquele lugar da Av. 17 de Agosto que não lembro mais o nome, o show do meu aniversário no salão de festas da minha avó (a primeira e única apresentação dos Animalistas) e os shows emocionantes do Café no Parque (minha mãe diz que talvez tenha sido só pra isso que ele existiu).

Lulina @ Café do Parque

Animalistas

Mas todos esses shows em Recife, e mesmo os shows que vi aqui em São Paulo estavam aquém do talento de Lu. Sempre o som tava baixo, mal dava pra ouvir a voz dela – até porque ela sempre pedia pra baixarem o volume do microfone. Aí depois de quase 10 anos eu vejo e ouço Lu cantando num lugar foda, com uma banda foda, um som foda e a voz dela límpida, cristalina e linda. Não dá pra não ficar muito emocionado de ouvir aquelas músicas que ouvi anos e anos atrás agora numa versão digna delas. Eu queria muito poder ter toda a isenção do mundo, ter chegado lá no MIS e saído dizendo que tinha acabado de descobrir uma grande artista, talvez fosse mais justo com ela. Mas, pensando bem, é uma sensação mais rara ainda você ver tudo crescendo até explodir de tanta alegria e poder, além de apreciar a bela música, sentir um orgulho imenso da sua amiga.

Aqui, duas versões de um dos melhores momentos do show.

(via)

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